Começo por esclarecer que sou amigo do David Dinis (DD). Mas isso não chega para fazer a sua defesa. Sou dos que entendem que uma vez ultrapassada a fronteira da assessoria os jornalistas não devem voltar à profissão. Mas não havendo regulamentação deve imperar a regra da seriedade. E se há coisa que o DD tem, é ser um tipo sério. Acho a crucificação pública do David completamente inaceitável e absolutamente desonesta do ponto de vista intelectual, sobretudo quando é promovida por alguém que abdica do mais básico direito de cidadania.
O Martim defende que por ser jornalista não deve votar. Assim sendo, ao Martim devia estar vedado o direito a produzir opinião, uma vez que o exercicío do voto é por definição uma manifestação de opinião. Quem não vota é porque não tem opinião. Mais, onde é que estava o Martim, ou os outros que agora atiraram as primeiras pedras quando, por exemplo, os ex-assessores socialistas regressaram às redacções (muitos deles ao DN) e começaram a escrever ou a opinar sobre a política nacional? Onde é que estavam (e o Martim estava lá) quando o José Luís Manso Preto foi ao Congresso de Aveiro do CDS intervir enquanto delegado e continuou depois a exercer a sua profissão de jornalista? Onde é que estavam quando o Luís Delgado foi nomeado para a presidência da Global Noticias e da Lusomundo Media? E não vale a pena dizer que este senhor nunca foi assessor, porque é bem mais grave do que isso.
O Luís Delgado é, todos o sabemos, um comissário politico. Sejamos claros. Estou de acordo que na política, no jornalismo como em tudo na vida, não basta ser sério, é preciso parecer. Mas a seriedade passa obrigatoriamente pela coerência das posições que assumimos. A verdade é que ainda ninguém se manifestou sobre a qualidade do trabalho do DD. Limitaram-se a reagir de forma corporativa. Entendo que o David podia e devia ter-se protegido, não fazendo a entrevista. Entendo que a direcção do Diário Económico (DE) não devia ter exposto o DD ao desconforto de, 4 meses depois de ter regressado à profissão, estar como editor de política. Mas já que assim é sejamos honestos: alguém pode, em consciência, acusar o David Dinis de no jornalismo estar a funcionar como ponta de lança de um qualquer interesse obscuro? A resposta é não. O trabalho do David Dinis, digo-o sem qualquer dúvida, é limpo, sério, honesto e completamente desprovido de "partidarite" ou "tentação freteira". Sobre a entrevista ao Morais Sarmento, sejamos também claros: Se o ministro em causa em vez de ter chamado "caudilho" ao PR, se tivésse rebelado e assumisse a posição de crítico do santanismo, alguém questionaria o facto de a entrevista ter sido feita pelo DD? Tenho a certeza que não. Eu por mim prefiro as coisas claras. Embora discorde do princípio, prefiro saber que o DD foi assessor do ex-PM e hoje é editor de politica do DE, do que ler o trabalho daqueles jornalistas que sem nunca terem sido assessores de coisa nenhuma, actuam como tal.